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Retratista 2

A fotografia entrou na minha vida de forma natural, e de certo modo, inesperado, a partir de uma experiência muito bem recebida logo no meu primeiro trabalho, em 65.

Não considero meu percurso apenas autodidata, pois minha relação com a câmera já estava em meu olhar, em minha formação como repórter, como observador do mundo que minha curiosidade queria levar aos leitores, ao público.

E entre os fatores de minha formação estavam os contatos que tive com grandes fotógrafos e artistas.

Em um tempo que as informações estavam apenas em livros e revistas, meu contato com a obra de Henri Cartier-Bresson, já havia tocado a minha sensibilidade.

Depois, já profissional, tive a oportunidade de ver seu trabalho em exposições fora do Brasil, sempre confirmando a excelência de seu olhar e dos olhares que flutuavam em suas fotos.

Seus personagens captados sempre se comunicavam pelo olhar. 

Nos encarando ou relacionando-se entre si, a lente de Bresson sempre buscava o olhar. E quando ele mirava a paisagem, também era uma lição de seu olhar.

Grande parte do meu trabalho foi direcionando ao mercado, revistas, reportagens, modelos, e mesmo as personalidades que fotografei, não tinham a intenção de fazer história.

Era meu trabalho. Minha função.

Mas talvez as lições que grandes fotógrafos me ensinaram, já que a escola de minha época era a Rolleiflex, deram ao meu trabalho um apuro, e uma procura pela beleza que levou ao reconhecimento que ele tem hoje e acho que minha história é a sensação de um dever cumprido, uma trajetória que me traz alegria quando olho pra trás.

Às vezes, eu mesmo não acredito quando vejo o número de fotos que fiz, algo que passou de 140 mil é bastante impressionante para uma profissão que começou por acaso. 

Creio mesmo que era predestinação. Esse acervo foi doado ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Está eternizado, como estava escrito.

Este destino me trouxe muitas alegrias, e para celebrar estes mais de 60 anos como fotógrafo, o “retratista” como sou chamado, talvez ainda me reserve mais uma alegria, por isso estou aqui.

Nunca pensei que a vida me dessa esta oportunidade, a honra de estar ligado a um artista que sempre admirei.

E o fato desta possibilidade existir, é no momento mais uma destas alegrias inexplicáveis.

Envio um trabalho autoral, minha série Amazônica, que fiz no assombro que a população de lá me causou e que o tempo emoldurou com a importância da história, com a urgência do futuro.